sábado, 20 de julho de 2019

Negócios inacabados


"Quando a dependência do passado ofusca o nosso presente."

O inconfundível Belchior, em uma de suas letras geniais, disse que: "O passado é uma roupa que não nos serve mais". Aproveitando a alusão, suponho que com o passar do tempo, nós mudamos de tamanho e formato, em todos os sentidos. Mudamos de aparência, de opinião, de estilo, de comportamento, de hábitos… A vida nos acompanha, e, assim, mudamos de amigos, de trabalho, de cidade e de amores. 
Sabemos que a direção que a vida toma, nem sempre é guiada, conscientemente, por nós. Circunstâncias das mais diversas nos levam para rumos inesperados, na nossa vida pessoal, profissional e afetiva. De repente, notamos que ao nosso redor, não tem mais nada do que estávamos acostumados a ver cinco ou dez anos atrás.
Ficamos com a impressão que tudo é rotativo, os momentos, as experiências, até as pessoas. O poeta português, Fernando Pessoa, disse que: "Navegar é preciso; viver não é preciso". Acredito que seja a impressão do poeta, acerca da impossibilidade de controle das rédeas da vida.
Já no terreno das relações afetivas, podemos ver que toda essa rotatividade nos traz uma grande confusão, pois não nos acostumamos a enxergar os relacionamentos como cíclicos. Com a transitoriedade e a multiplicação das relações, a vida tende a nos apresentar pessoas que nós já conhecemos, na forma de personagens novos, agora chamados de “ex-”, que levam este nome para registrar que fazem parte do nosso passado, pelo menos dessa forma desejamos.
Estes personagens, a quem apelido de Fantasmas, costumam ser a cereja do bolo de nossa confusão, fazem parte de uma vida que não é mais nossa, foi. Nós não somos mais os mesmos; eles, também não. Contudo, somos traídos por nossa mente, através de pensamentos que confundimos com lembranças; Estes, não necessariamente são reais, mas surgem a partir da nossa insegurança em seguir em frente.  Terminam, dessa forma, ofuscando nossa capacidade de enxergar novas possibilidades, conhecer outras pessoas e viver novas experiências. Trocando em miúdos, é como se durante uma caminhada, ao tropeçarmos numa pedra, nós, em vez de a deixarmos para trás, decidíssemos carregar tal pedra o restante do trajeto, fazendo com que a caminhada fique cada vez mais árdua e cansativa. Porém a vida é cheia de escolhas... Deixar ou carregar tal pedra é com você...


Allan Kemps Pontes Ferreira

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